O moinho de vento

Não havia outeiro, batido pelo vento, perto de povoado, que no seu cimo não tivesse o seu moinho.
A ele conduziam um ou vários carreiros que eram percorridos, vezes sem conta, por mulheres e crianças, levando à cabeça o talego, saco branco de linho com um alqueire de trigo ou milho. Moído este, o moleiro retirava a sua parte, a maquia, uma oitava do alqueire.
De regresso a casa, a farinha era transformada em pão, uma amassadura que, "bem governada" iria chegar para uma semana.
Lavrador que produzisse um moio de trigo( 60 alqueires) tinha assegurado o abastecimento de pão para um ano.
Não havia ainda camponês experiente que, olhando o moinho e atento ao silvo dos seus búzios, não soubesse prever o tempo.
Foi assim, nesta região, durante séculos, para sucessivas gerações de antepassados nossos. Nos últimos tempos tudo mudou. O moinho de vento que, há quarenta anos, era ainda um elemento indispensável à vida de muita gente, é hoje uma peça de museu. A minha geração foi a última a conviver com ele e a conhecer os seus segredos, encantos e mistérios. José Sobrinho/1996.