A ROLA

     
A rola é famosa, pela forma desajeitada e trapalhona, como constrói o seu ninho. A este propósito conta-se aquela velha fábula de que, quando recebeu, da carriça, a primeira lição sobre a sua feitura, logo se declarou perita na matéria.
Quantos de nós não fomos já comparados à rola?
É uma ave migratória. Tal como a andorinha, vem com a Primavera. Procria entre nós e, por alturas de Setembro, migra para Sul. Como ave granívora que é, tem nos restolhos de cereais, os seus locais preferidos de alimentação.
Num passado ainda não muito distante, as famílias das comunidades rurais, desta nossa região, eram quase auto-suficientes em produtos alimentares. Para as mais abastadas, ir ao padeiro era uma vergonha. As sementeiras de trigo abundavam um pouco por todo o lado. Nos últimos tempos, a situação alterou-se radicalmente. Já só se semeiam cereais em terrenos onde se arrancam pomares velhos, para desinfecção do solo. Isto constituiu uma das grandes dificuldades pelas quais a rola passou entre nós, o que levou à redução do seu número. Outra, muito mais grave e deplorável, é o facto dessas poucas sementeiras serem locais onde se concentra para se alimentar e onde é dizimada pelos caçadores. José Sobinho/98