A PERDIZ NO CHOCO

 
Na Primavera de 1993, numa das voltas que tenho por hábito dar pelo campo, encontrei, num tufo de ervas, um ninho de perdiz que continha 14 ovos. Depois fiz-lhe várias visitas. Ao aproximar-me do ninho, a perdiz erguia a cabeça e ficava atenta aos meus movimentos. Procurei fixar essa imagem e reproduzi-la neste quadro.
Da ninhada nasceram l3 perdigotos que se mantiveram nas imediações. Procurando seguir a sua evolução, verificava, com tristeza, que à medida que cresciam eram cada vez menos. Quando começaram a voar já só restavam 4. Nenhum sobreviveu à época da caça.
Esta nossa região do Oeste de Portugal parece ser uma das poucas do mundo onde esta variedade de perdiz, a perdiz vermelha, ainda se encontra pura, no estado selvagem.
Por si só, este facto deveria ser mais do que suficiente para que ela fosse um verdadeiro tesouro a preservar.
Porém, os pesticidas agrícolas e, muito especialmente, o facto de ser cobiçada como trofeu de caça tornam muito difícil a sua sobrevivência.
É, por isso, imperiosa e urgente a sua protecção. Caso contrário, será mais um tesouro transformado em "ave de capoeira".