Almeida Garrett (1799 - 1854)
"...se haverá ali quem a aproveite, a deliciosa janela? Quem aprecie e saiba gozar todo o prazer tranquilo, todos os santos gozos da alma que parece que lhe andam esvoaçando em torno?

Se for homem é poeta; se é mulher está enamorada.

São os dois entes mais parecidos da natureza, o poeta e a mulher enamorada; vêem, sentem, falam, como outra gente não vê, não pensa, não sente nem fala.

Estava eu nestas meditações, começou um rouxinol a mais linda e desgarrada cantiga que há muito me lembra de ouvir.

Era ao pé da dita janela!

E respondeu-lhe logo outro do lado oposto; e travou-se entre ambos um desafio tão regular, em estrofes alternadas tão bem medidas, tão acentuadas e perfeitas, que eu fiquei todo dentro do meu romance, esqueci-me de tudo o mais..."(Excerto de Viagens na Minha Terra - A Menina dos Rouxinóis)