Esta andorinha só nidifica
nos beirais e noutras saliências das paredes exteriores
das nossas casas.
Foi aqui a mais representativa mas, nos últimos tempos,
está em progressivo desaparecimento, tendo já sido
largamente ultrapassada, em número, pela sua homónima
das chaminés, sem que o número destas tenha aumentado.
O surto de construção civil a que nos últimos anos
vimos assistindo levou a que, nas nossas aldeias, as
velhas casas com telhados de telha de canudo, que
passavam de avós para netos, tenham vindo a dar lugar a
modernas e confortáveis moradias.
Muitos dos proprietários desses imóveis, zelosos com a
limpeza das paredes das suas habitações, enxotam as
andorinhas dos beirais, dizendo-lhes:
-Vão fazer o ninho p'ra outro lado !...(Eu, próprio, já
presenciei várias cenas destas)
Deste modo, o que dantes era desejado, por ser
considerado um sinal de bom augúrio, passou a ser
rejeitado, e as pobres das andorinhas dos beirais,
escorraçadas de porta em porta, acabam por ser impedidas
de cumprir a sua função de procriar.
Num passado ainda não muito distante, principalmente no
seio das nossas comunidades rurais, as andorinhas eram
consideradas aves sagradas, as galinhas
de Nossa Senhora. Ai do miúdo travesso que
ousasse destruir-lhes os ninhos !... Isto explica que
estes permanecessem intactos e servissem de berço a
sucessivas gerações de andorinhas dos beirais.
A mudança de mentalidade das nossas gentes, e a
melhoria das nossas condições de vida estão a ter
reflexos negativos na reprodução desta ave, o que pode
levar à sua extinção.
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